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sábado, 27 de junho de 2015

Crónicas do Renan - Tá Cinco Reais

Ora ou outra gosto de sair a pé pela cidade para ver as mudanças no cenário e no comportamento da população. Essa observação é importante para todos aqueles que gostam de escrever. Muito se pode tirar de poucos minutos que você para e olha em sua volta. Não só ideias, mas conhecimento, sabedoria e algumas diversões.

Nestes dias eu resolvi ir para o trabalho a pé, para poder olhar um pouco as pessoas. Comecei a perceber que, de repente, vi mais pessoas sorrindo e felizes do que o habitual. Não que eu queira ver as pessoas de Breves tristes, muito pelo contrario, os sorrisos das pessoas, a alegria, é contagiante. Mas, como sou curioso, queria saber o motivo da felicidade dos meus conterrâneos.

Os dias iam se passando, e cada vez mais via o número de pessoas felizes aumentar. Fiquei receoso de chegar para alguém e perguntar o motivo da felicidade. Seria uma atitude muito invasiva. Então, comecei a observar mais ainda, mas nada de conseguir descobrir o motivo da felicidade brevense.

Em um dia, resolvemos em casa almoçar alguma coisa com açaí, então tive que me deslocar até a batedeira mais próxima para comprar um litro do néctar do norte. Ao me deparar com a bandeira, e o número gravado nela, não pude conter um sorriso largo, e percebi o motivo da felicidade.

O litro estava a cinco reais.

Já sei o motivo da felicidade dos brevenses. Agora, meus caros leitores, acabei de me transformar em mais um número estatístico da percentagem de pessoas felizes da cidade de Breves. Vida longa ao açaí de cinco reais.

sábado, 7 de março de 2015

Égua do açaí caro, sumano.

Ah, como dói!
Uma dor que lateja
Que irrita o coração
E o bolso do cidadão

É por isso que tem gente
Que espalha por ai
Que o amor custa caro
E como custa.

Já tem gente nas praças
Nas ruas e nas calçadas
Com cara de "pidichão"
Pedindo aos transeuntes:

Me dá meio litro de açaí,
Meu patrão?

E tem outros
Que vão nos ônibus
E nas paradas
e fala pra rapaziada:

Podia tá robando
Matando ou cheirando
Mas to aqui vendendo bombom
Pra comprar meu açaí

Uns dizem que o açaí
Entrou em disputa com a luz elétrica
Pra ver quem esse ano
Deixaria todo mundo careca

Tá cruel!

Pelo menos aqui no Pará
Água doce não nos falta.

Que foi?!

Égua!!
Tá tudo poluído
essa danada.

Melhor morrer.

Renan Medeiros

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

E quando me dizem para desistir de escrever...

É nestes rios que se seguem fortes que encontro o prazer para escrever. São estas águas barrentas, tranquilas e serenas, que me acompanham, quase sempre, quando saiu para vislumbrar o entardecer.
É nos ribeirinhos, que navegam pelos colossos da Amazônia em suas frágeis embarcações, que encontro a persistência para viver.
Desistir jamais.
Não com tanta inspiração. Não com tantas histórias a serem ouvidas. Não com tantos causos a serem contados. Não com tantos sons a serem apreciados e músicas a serem dançadas. Não com tantas matas a serem poetizadas. Não enquanto o mururé ainda passear pelos igarapés da minha casa.

Renan Medeiros

Contratos quebrados.

Absorto, ele fixava sua visão no teto enquanto sentia os delicados dedos dela tateando seu tórax, deleitando-se com os resquícios de prazer ...