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domingo, 14 de maio de 2017

Palavras soltas

Poesias em papeis,
Espalhados pelo chão.
Cada canto um verso,
Um sentimento,
Um desejo.
Cada rabisco um fosso
De amores, traumas, sabores.
Um quarto bagunçado,
Uma alma perturbada.
Um escritor solitário,
Um coração destruído,
Um homem perdido.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Canção do Suicida

Durante a vida inteira
Eu vi você passar
Diante dos meus olhos
Sem ao menos me notar.

Você não tem noção
De como é torturante
Querer um dia lhe ter,
Pelo menos por um instante.

Mas você me desprezou,
Me jogou na solidão.
Agora te mostrarei
Toda a dor do meu coração

Não adianta nem me olhar,
Pois na lama me afundei.
Nada pode me resgatar,
Nem adianta ser cortês.

Nem sei se um dia amei.
Nem sei se amarei.
Minha única certeza é
Que meu coração dilacerei.

Estou todo enterrado nisso,
Sou um ser incompreendido.
Não me chamem de amor,
Muito menos de amigo.

Ouço as vozes de vocês
Querendo entender isso.
Lhes acalmo o coração
Bando de desconhecidos.

O vento bate no meu peito
Esfriando o meu coração.
Liberto-me dessa vida
Cantando esta canção.

A queda é longa e bela
Parece o sorriso dela.
Pra lhe ser verdadeiro
Eu queria era estar com ela

Vejo o susto de vocês
Quando no chão eu espatifei.
Meu sangue cheio de amor
Pelo chão todo se espalhou.

Ouço gritos, choros e prantos.
Vejo bem os olhos de tantos.
Vocês acham que eu acredito?!
Por ninguém serei reconhecido.

A morte já veio me buscar
E acabou de me avisar,
Minha dor não sumirá
Castigo por me suicidar.

Adeus, Adeus, Adeus, Adeus!
Eu culpo Deus por tudo isso.
Adeus, Adeus, Adeus, Adeus!
Até o inferno, meus amigos

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Escritores de verão e inverno

Nunca gostei dos escritores de verão.
Tão coloridos e felizes,
Que soam falsas crendices.
Com suas calças floridas cor de melão

Adoram o sol de veraneio.
Andando descalços nas praias,
Piscinas e canteiros. Escrevendo
Em cadeiras de balanço.

Entornam suas cervejas geladas.
Escrevendo sobre realidades,
Que para muitos inexistem,
Mas vendem o desejo de existir.

Falam sobre ricos e suas fortunas,
Sobre lugares paradisíacos,
E uma vida perfeita e singular
Onde ninguém consegue alcançar.

Sou mais os escritores do inverno.
Ah! Esses sim são escritores.
Da realidade prosadores.
Os poetas das dores e do amar.

Sabem, como ninguém,
As dores de uma paixão,
A felicidade da conquista,
As lacunas da solidão.

Prosam sobre a realidade de todos,
Sobre o nascer de um boto,
Sobre a arte de matar,
E sobre o desejo de casar.

Dissertam sobre os humanos
Agarrados na realidade.
Seja ela feliz ou triste,
Leve ou cheio de esquisitice.

Enfrentam o frio do inverno
Na solidão de um lugar,
Com café a lhe esquentar
E uma historia a contar.

Conhecem as dores do mundo
Pois lá já viveram e sentiram.
Não vendem ilusões e vultos,
Mas iluminam a razão de existir.

Que se extinguem os escritores do verão
E que nasça muitos escritores do inverno,
Tarjados no frio da paixão
Moldados na solidão e ilusão.

Contratos quebrados.

Absorto, ele fixava sua visão no teto enquanto sentia os delicados dedos dela tateando seu tórax, deleitando-se com os resquícios de prazer ...